Administrador que era motoboy consegue emprego após post na web

Wellington Failla, de 30 anos, tem curso superior e trabalhava numa pizzaria, quando mensagem viralizou no LinkedIn e conquistou uma vaga na Ambev

Wellington voltando do trabalho, na época de motoboy na pizzaria

Wellington voltando do trabalho, na época de motoboy na pizzaria

Arquivo Pessoal

Formado em administração, o jovem Wellington Failla, de 30 anos, morador de Hortolândia (SP), trabalhava como motoboy em uma pizzaria da cidade como uma alternativa enquanto não se encaixava na sua área no mercado de trabalho.

No final de junho, resolveu fazer um post despretensioso no LinkedIn e o resultado foi além do esperado. Além de o post viralizar, conseguiu um emprego na Ambev, uma multinacional brasileira, como técnico administrativo.

No post, Failla apareceu com uma bag [acessório usado para conservar a temperatura dos alimentos nas entregas] nas costas, após voltar de voltar de uma entrega em uma pizzaria.

Na ocasião, explicou que, mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus e sem trabalhar na área para a qual era capacitado, agradecia pelo momento que vivia e valorizava o trabalho que estava exercendo. A mensagem virtual chamou a atenção dos profissionais de recursos humanos.

Trajetória

Rapaz mostra a carteira de trabalho assinada

Rapaz mostra a carteira de trabalho assinada

Reprodução/LinkedIn

Com uma infância difícil, ainda nos primeiros anos de vida, Wellington foi entregue a outra família devido às dificuldades financeiras que a mãe dele enfrentava. Após sofrer abusos das pessoas que o adotou, acabou retornando à família de sangue.

Aos 6 anos, quando passou a viver no bairro humilde da Vila Dulce, em Sumaré (SP) precisou ir às ruas vender balas e doces para conseguir comprar comida e ajudar na renda de sua casa.

Vivendo com a mãe e duas irmãs, logo aos 11 anos precisou trabalhar na entrega de galões d'água e na venda de rodos e vassouras com o tio. Mesmo muito jovem, acabou transformando-se no homem da casa e um dos responsáveis pelo mantimento da família, ajudando no que podia.

“Foi um período bem complicado. A gente, às vezes, queria comer alguma coisa, coisa simples, sabe? Mas mal a gente comia uma mistura. Foi um período bem crítico”, lembrou o rapaz.

Desde junho, porém, o agora ex-motoboy faz parte de uma multinacional brasileira e exerce uma função dentro da área para a qual se preparou. 

*Sob a supervisão de Raphael Hakime