Agricultores ganham kits contra covid para colher algodão em MG

Produtores rurais, que trabalham sem ajuda de máquinas, estão recebendo treinamentos sobre como evitar o contágio de coronavírus dentro do campo

Associação distribui proteção a agricultores que seguem trabalhando na pandemia

Associação distribui proteção a agricultores que seguem trabalhando na pandemia

Divulgação/Solidaridad/Alberto Oliveira

A preocupação com a pandemia de covid-19 já chegou aos campos agrícolas, mesmo em cidades que não têm casos confirmados da doença. Em Catuti, a 652 km de Belo Horizonte, uma associação sem fins lucrativos está distribuindo kits de proteção a 750 trabalhadores rurais que trabalham nas colheitas de algodão.

Os produtores vão receber máscaras de acrílico, luvas, marmitas e garrafas térmicas, além de sabão para higienização das mãos. José Tiburcio de Carvalho, gerente da Cooperativa dos Produtores Rurais de Catuti, explica que, além de ganhar o material, os camponeses passam por treinamentos para adotar novos hábitos dentro das lavouras.

— Agora todos os trabalhadores são orientados a não compartilhar os objetos, como as marmitas. Eles também devem manter a distância mínima de dois metros entre um e outro.

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A iniciativa faz parte do projeto Tecendo Valor, da Solidaridad Brasil - organização internacional que atua em 80 cidades do país, estimulando o desenvolvimento do homem do campo.

Os camponeses beneficiados são, em grande maioria, trabalhadores contratados provisoriamente para o período de safra na cidade que é uma das maiores produtoras de algodão da região. Apenas em 2020, o município deve produzir 1 milhão de quilos da fibra. A colheita vai de abril a junho, meses que coincidem com o desenvolvimento pandemia no Brasil.

Rodrigo Castro, representante nacional da Solidaridad, explica que o projeto em Catuti tem como objetivo ajudar o setor da agricultura que não foi paralisado durante, por ser considerado essencial.

— Nosso principal foco é garantir a segurança de trabalhadores rurais na colheita. Sabemos que o risco grande de contaminação vem quando você tem maior aglomeração. E isso pode acontecer, principalmente, nas lavouras da cidade, onde a colheita é feita manualmente.

O produtor rural Adelindo Martins, de 62 anos, que trabalha com algodão desde a década de 1970, confessa jamais ter imaginado vivenciar uma crise de saúde mundial, como a provocada pelo novo coronavírus.

O agricultor avalia que mesmo não tendo registros de infectados com covid-19 em Catuti, ficou mais aliviado ao ganhar o material de proteção para trabalhar, já que outras cidades da região têm casos confirmados.

Em Monte Azul, a 43 km de distância, são cinco moradores com diagnóstico positivo. Já em Janaúba, um dos maiores municípios da região e 90 km distante de Catuti, o governo contabiliza 20 infectados. Em todo Estado, são 7.516 casos confirmados e 234 mortes.

— Estou muito satisfeito com o material. Vai ajudar a manter a cidade sem casos da doença. Agora estamos mais protegidos.