Após doar R$ 1 bi, Itaú define quatro metas no combate ao coronavírus

Entre os objetivos da instituição estão informar a população, cuidar dos infectados e preparar o país para a retomada gradual das atividades

Itaú vai estimular tratamentos reconhecidos pela ciência

Itaú vai estimular tratamentos reconhecidos pela ciência

NIAID

O Itaú Unibanco detalhou nesta segunda-feira (13) como pretende utilizar o valor de R$ 1 bilhão que anunciou para o combate do novo coronavírus. O presidente do banco, Cândido Botelho Bracher, afirmou que esta é a maior doação privada já feita no Brasil para uma única causa.

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O diretor geral do Hospital Sírio-Libanês, Paulo Chapchap, coordenador do comitê de crise criado pelo Itaú, explicou que o valor será alocado em quatro metas do grupo: informar a população sobre como se prevenir, proteger profissionais de saúde que estão na linha de frente no combate à covid-19, cuidar dos pacientes infectados utilizando as melhores ações médicas e, por fim, preparar a retomada gradual das atividades econômicas.

A volta das atividades, explicou ele, deverá se dar futuramente por meio da aplicação de testes em grupos específicos, mantendo em isolamento pessoas que se enquadram em grupos de risco. 

Chapchap afirmou que a busca por equipamentos de proteção e respiradores privilegiará a produção nacional, mas não descarta a importação de produtos.

O comitê de crise trabalhará em parceria com o MInistério da Saúde, e definirá ao lado do poder público onde deverão ser aportados os recursos.

O diretor-presidente da ANS (Agência Nacional de Saúde), Mauricio Ceschin, afirmou que o papel do comitê não é o de competir com o Estado, mas ajudá-lo com conhecimento e financiamento a priorizar ações que ajudem a minimizar os danos causados pela pandemia. 

Ceschin espera que a iniciativa do Itaú ajude a estimular outras empresas a doarem recursos e esforços com o mesmo objetivo. "Que outras instituições se juntem. Precisamos mudar nossa forma de pensar em relação à desigualdade social desse país e temos de nos envolver mais em aões desse tipo."

Ciência

Chapchap afirmou que as ações vão se pautar exclusivamente em evidências científicas para indicar tratamentos contra o coronavírus.

A cloroquina, de acordo com os participantes do grupo, ainda não tem evidências científicas que justifiquem a sua indicação até o momento.

Todos os profissionais de saúde que participaram da entrevista coletiva virtual desta segunda-feira defenderam o isolamento horizontal e afirmaram que ainda não há qualquer tratamento definitivo para a doença. 

Cândido Botelho Bracher declarou que o valor de R$ 1 bilhão sairá do balanço financeiro do banco e não representará qualquer tipo de benefício fiscal à instituição. Ele também garantiu que não haverá demissões nas agências por causa da redução da atividade econômica.

Neste ano, a fundação Itaú já havia feito uma primeira doação para o combate à pandemia, de R$ 150 milhões. Esses recursos estão sendo direcionados a várias ONGs, que distribuem cestas básicas, material médico e equipamentos para hospitais.