Virtz Chefs mulheres doam refeições e cestas elaboradas em Curitiba

Chefs mulheres doam refeições e cestas elaboradas em Curitiba

Projeto 'Mulheres do Bem' distribuiu mais de 14 mil marmitas orgânicas na pandemia e entregará cestas de alimentos saudáveis em 12 de dezembro

  • Virtz | Eduardo Marini, do R7

Manu (de pé, à dir.) e suas parceiras lideram projetos contra a fome em Curitiba

Manu (de pé, à dir.) e suas parceiras lideram projetos contra a fome em Curitiba

Divulgação/Mulheres do Bem

Um dos grupos profissionais mais ativos no Brasil em ações de solidariedade, desde o início da pandemia, tem sido o formado pelos chefs de cozinha do país. Há várias iniciativas importantes em curso, lideradas por talentosos integrantes da categoria.

Entre os mais relevantes estão o "Mesa Solidária" e o "Alimenta Curitiba", criados na capital paranaense pelo grupo "Mulheres do Bem", formado por sete mulheres chefs de restaurantes da cidade e uma jornalista da área de gastronomia. Todas dispostas a contribuir para amenizar o sofrimento de pessoas em situação de rua e de famílias carentes com pouco ou nada garantido para comer no dia-a-dia.

No próximo dia 12 de dezembro, o grupo irá doar cestas de final de ano com produtos saudáveis escolhidos por elas, muitos deles orgânicos, em regiões carentes de Curitiba e da região metropolitana da cidade, como Alto Boqueirão, Chacrinha e Vila Nova.

As próprias chefs prepararam as refeições doadas a pessoas em situação de rua e a carentes

As próprias chefs prepararam as refeições doadas a pessoas em situação de rua e a carentes

Divulgação/Mulheres do Bem

Centenas de famílias estão cadastradas para receber as cestas e o processo de registro continuará até o momento da entrega. O ponto de distribuição para as regiões de concentração de famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza será a sede do projeto municipal Fazenda Urbana, em Curitiba.

“Temos ajuda preciosa de empresários e cidadãos sensíveis à causa”, diz ao R7 uma das integrantes do grupo, a chef Manu Buffara, proprietária do restaurante Manu, no bairro curitibano do Batel, e com projeto de inaugurar o Ella, no bairro de Chelsea, em Nova York, em 2021.

“Nossa vontade é conseguir doar duas mil cestas ou mais. Não sabemos se tudo isso será possível, mas estamos trabalhando muito para entregar o maior número possível”, diz ela.

A apresentação das refeições e dos pratos doados nos projetos impressiona pelo capricho

A apresentação das refeições e dos pratos doados nos projetos impressiona pelo capricho

Divulgação/Mulheres do Bem

Formado em dezembro de 2019, o "Mulheres do Bem" começou a atuar, no início de 2020, numa associação com a prefeitura de Curitiba, firmada a partir de uma ideia interessante. “Começamos distribuindo refeições bacanas, pratos interessantes e saudáveis, produzidos por nós, a moradores de rua”, explica Manu.

“Como os restaurantes populares da Curitiba, esses de R$ 1 ou R$ 2 o prato, ficavam fechados em alguns horários do dia, sobretudo à noite, acertamos com a prefeitura de usar esses espaços para as pessoas fazerem as refeições com dignidade e condição para higiene e, em alguns casos, até banho.”

O projeto embalou em março, com a chegada da pandemia ao país. “Servimos mais de 14 mil refeições até agora. Misturamos as contribuições com dinheiro do nosso bolso, quando era preciso”, afirma a chef.

As marmitas quase sempre trazem boas surpresas gastronômicas. “Oferecemos receitas como moqueca de banana-da-terra, hambúrguer de beterraba, frango atropelado, sanduíche de costela e barreado, um cozido clássico do litoral paranaense”, acrescenta Manu.
  
“Vivemos uma situação difícil, que vai passar, mas a intenção é tornar o movimento permanente porque outras ações são fundamentais para acabar ou ao menos diminuir consideravelmente a fome em nossa região e no país”, analisa outra integrante do grupo, Gabriela Carvalho, chef e proprietária do restaurante Quintana e coordenadora de adesão de voluntários para a iniciativa.

A preocupação é justificada. Pesquisa divulgada em setembro pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) (IBGE), mostra que a fome aumentou 43,7% no país nos últimos cinco anos.

Outro estudo, sobre o impacto da covid-19 em crianças e adolescentes no mundo, feito pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), revela que 27% deles passaram ao menos um momento sem ter o que comer. E 8% deixaram de fazer alguma refeição por falta de dinheiro.

A apresentação é outro ponto forte nos projetos do grupo Mulheres do Bem

A apresentação é outro ponto forte nos projetos do grupo Mulheres do Bem

Divulgação/Mulheres do Bem

Não bastasse, o consumo de alimentos como macarrão instantâneo e biscoitos, pobres em nutrientes, aumentou perigosamente no Brasil e no mundo durante a pandemia. “Por isso levamos produtos orgânicos, saudáveis, e evitamos os processados”, destaca Vânia Krekniski, chef e proprietária do restaurante Limoeiro.

“Nada contra arroz, feijão e macarrão, que o pessoal normalmente doa. Bem feitos, com bons ingredientes, são ótimas refeições. Mas a gente procura oferecer pratos diferentes, para dar um pouco mais de sabor, alegria e saúde à vida das pessoas”, completa Manu. 

Além de Vânia, Manu e Gabriela, fazem parte do "Mulheres do Bem", do "Alimenta Curitiba" e do "Mesa Solidária" as chefs Cláudia Krauspenhar (K.sa), Eva dos Santos (La Chica), Rosane Radecki (Girassol) e Flávia Rogoski (Bom Vivant Queijos do Mundo), além da jornalista e blogueira de gastronomia Jussara Voss.

Os projetos contam com o apoio de empresas e ONGs, entre elas a Gastromotiva. As inscrições para participar como voluntário ou oferecer doações são feitas pelo e-mail contato.mulheresdobem@gmail.com.

Mais algumas belas iniciativas dos craques das panelas, frigideiras e caçarolas neste duro período de pandemia.

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