Cientistas dos EUA tentam anular enzima que multiplica o coronavírus

A Topoisomerasa III-ß é a responsável por levar sintomas da covid-19 a todo o organismo; medicamentos já existentes estão sendo testados

Estudo testa remédios que já foram aprovados

Estudo testa remédios que já foram aprovados

Reprodução/Record TV

Cientistas das universidades da Flórida e do Texas e do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos trabalham em conjunto em busca de um medicamento que bloqueie uma enzima que ajuda o novo coronavírus. É ela a responsável por multiplicar no organismo os efeitos da covid-19.

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A Florida International University (FIU) anunciou nesta semana que o objetivo da  equipe de pesquisadores é descobrir entre os medicamentos já existentes e aprovados nos Estados Unidos quais são mais eficientes para inibir a enzima Topoisomerasa III-ß (TOP3B).

A descoberta da enzima foi feita pelo professor porto-riquenho Mariano García-Blanco, especialista em bioquímica e biofísica molecular e professor da faculdade de Medicina da Universidade do Texas (UTMB)..

Fábrica de vírus

Com a ajuda da enzima TOP3B, o SARS-CoV-2 se replica (faz cópias de si mesmo) dentro das células humanas infectadas, o que se torna uma "fábrica de vírus".

Após sua descoberta, García-Blanco contou com a ajuda do diretor do Instituto de Ciências Biomoleculares da FIU, Yuk-Ching Tse-Dinh.

"Estamos nos aproximando da FIU como o lugar de onde vêm os melhores inibidores", afirmou Garcia-Blanco em comentários reproduzidos no comunicado da FIU.

Tse-Dinh faz testes com medicamentos já aprovados pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA. O que se busca é algo que possa ser testado rapidamente em pacientes, para impedir que a SARS-CoV-2 se espalhe pelo mundo.

Na opinião da equipe científica, se encontrarem um bom inibidor, o tratamento dos pacientes com a covid-19 pode ser feito com essa droga em conjunto com medicamentos antivirais.

Como é feito o trabalho

Tse-Dinh, Chapagain e dois estudantes de pós-graduação, Ahmed Seddek e Tumpa Dasgupta, já estão identificando drogas usando inteligência artificial e modelos moleculares e testando-as como potenciais inibidores de enzimas.

Quando encontram remédios com potencial, eles são encaminhados para García-Blanco e sua equipe, que os testam em culturas de células e vírus, incluindo a covid-19.