Escolas de São Paulo produzem mais de 25 mil máscaras face shields

Alunos e voluntários montaram os equipamentos em casa para colaborar com profissionais da saúde na luta contra o novo coronavírus

Alunos e familiares colaboram montando as máscaras em casa

Alunos e familiares colaboram montando as máscaras em casa

Arquivo Pessoal

O projeto coletivo Rede Proteção Solidária foi criado para minimizar o impacto da crise do novo coronavírus. Escolas particulares e laboratórios da capital paulista se uniram na produção de máscaras face shields designadas a profissionais da saúde. Com o desenvolvimento das peças e a montagem feita por voluntários em casa, mais de 25 mil equipamentos de proteção individual (EPIs) já foram enviados a 125 hospitais e instituições. 

A ideia de criar as viseiras de plástico surgiu a partir de uma parceria entre profissionais do Hospital das Clínicas e a Garagem Fab Lab, um espaço maker de fabricação digital. Depois do primeiro protótipo, outras instituições aderiram à iniciativa. Além da Oficina Lab, os colégios Projeto Vida, Gracinha, Escola da Vila e Vera Cruz também somaram esforços para colaborar com a produção.

Mais de 25 mil unidades já foram entregues aos profissionais da saúde

Mais de 25 mil unidades já foram entregues aos profissionais da saúde

Reprodução/Instagram

“Logo que começou a crise, começamos a pensar uma forma de utilizar o HackLab no Gracinha. Quando faltar algum tipo de produto essencial, que seja possível fazer a fabricação com impressora 3D ou a laser, e a indústria não estiver conseguindo suprir, a gente pode juntar uma série de espaços como esse e começar a produzir”, conta Pedro Setúbal, responsável técnico pelo espaço no Gracinha.

O material é recortado em máquina a laser e as peças seguem, junto com um manual, para a casa de alunos que realizam a montagem. João Gordilho, de 7 anos, é estudante do 3º ano na Escola da Vila e um dos voluntários do projeto. Com ajuda dos pais e da irmã, de apenas 4 anos, o garoto dedica algumas horas na semana para finalizar os equipamentos.

João Gordilho monta as máscaras com ajuda dos pais e da irmã

João Gordilho monta as máscaras com ajuda dos pais e da irmã

Arquivo Pessoal

"A montagem é fácil e divertida, eu consegui fazer uma máscara toda sozinho.  Vi que alguns amigos também participaram da ação. É que os médicos estão tendo muito trabalho no hospital. Então, quando eu faço a máscara, digo obrigado e também ajudo a salvar vidas", diz, animado. "Fazemos no final da tarde e foram 50 máscaras ao todo. Por aqui, semeamos a certeza de que juntos nos tornamos mais fortes. Precisamos ser ainda mais humanos, acolhedores e tolerantes para viver estes desafios", completa a mãe, Priscila Gordilho.

De acordo com Christina Planas, voluntária e controladora da produção, mais de 200 famílias estão envolvidas na iniciativa. "Tivemos uma ótima aceitação, todos querem ajudar e entendem a importância. Até avós participam. Como eles ficam isolados, se sentem úteis sendo colaboradores", conta.

Depois de prontas, as face shields retornam para a escola responsável e seguem para a distribuição em hospitais e instituições parceiras. “Ainda temos 4380 unidades em montagem, mas já estamos avaliando a demanda e pensando em uma segunda fase do projeto”, diz Cristina.

A Rede de Proteção Solidária criou um fundo de arrecadação para a compra de matéria prima. Clique aqui para colaborar!

Médicos e enfermeiros posam com os equipamentos doados pelo projeto

Médicos e enfermeiros posam com os equipamentos doados pelo projeto

Reprodução/Instagram