Virtz Famílias impactadas pela Covid-19 nas periferias de SP recebem serenatas nas janelas

Famílias impactadas pela Covid-19 nas periferias de SP recebem serenatas nas janelas

Ação solidaria tem foco em compartilhar carinho e alegria por meio da música e do riso nas comunidades carentes do estado

  • Virtz | Alex Gonçalves, do R7*

Projeto visita famílias carentes nas periferias das cidades do estado de SP
Projeto visita famílias carentes nas periferias das cidades do estado de SP Foto: Mariana Rocha

O projeto Serenatas Sem Fronteiras, da Organização Palhaços Sem Fronteiras Brasil visitará a Ocupação União, no Grajaú, no próximo sábado (9) às 16h30, e a Aldeia Tenondé Porã, em Parelheiros, no domingo (10) às 11h, regiões da zona sul da capital paulista. A ação contará com apresentação de serenatas nas janelas para as famílias impactadas pela Covid-19.

Unindo música e palhaçaria, com um cortejo-espetáculo, o projeto vem realizando serenatas em janelas de pessoas que vivem em periferias das cidades de Cubatão, São Bernardo do Campo, São Paulo e Osasco. A iniciativa visa a compartilhar o carinho e alegria por meio da música e do riso.

A cozinheira Marineide Constantino Lopes Silva, 41, mora na Ocupação Esperança, periferia de Osasco (SP), casada e mãe de três filhos, ela foi infectada pelo coronavírus por três vezes. Para a cozinheira, iniciativa assim traz conforto em momento difícil. “É muito gratificante receber pessoas do bem, que nos levam alegria. Em todo esse período de pandemia, perdi vizinhos e uma amiga que tinha como mãe”, lembra emocionada.

Segundo Marineide, a música conforta. “O som traz uma paz e mesmo que seja por alguns instantes nos faz esquecer dos problemas do dia a dia e nos transportamos na melodia e na alegria das canções”, comenta.

Moradores afetados pela pandemia da Covid-19 recebem serenatas

Moradores afetados pela pandemia da Covid-19 recebem serenatas

Foto: Mariana Rocha

Tetê Purezempla é coordenadora geral e artística do projeto e explica como tudo começou. “Acreditamos muito no poder de comunicação afetiva das melodias e na transformação que essa arte faz, convocando ao encontro. É por isso que quase sempre a gente faz cortejos para chamar as pessoas para verem os espetáculos que costumam acontecer com música ao vivo”, explica.

Segundo Purezempla, antes da criação do espetáculo, ela e o produtor Rafael Procópio visitaram as comunidades para decidir as questões técnicas de cada uma (estimativa de público, melhor trajeto, ponto de apoio, etc) e também para conhecer as parcerias locais e recolher histórias. “Meu foco, nessas visitas, era exatamente entender quais famílias foram mais afetadas pela pandemia e então quais músicas poderiam ser especiais para elas”, comenta.

Aline Moreno, diretora-executiva da organização, explica que a construção de redes e relações já faz parte do trabalho da equipe. “Sempre chegamos nas comunidades através de algum vínculo afetivo que já havíamos construído ou que será construído na hora de um novo projeto. Todo projeto é dedicado a populações em alta vulnerabilidade sócio econômica e que muitas vezes estão desassistidas do poder público, esse é nosso principal critério para escolher os lugares que visitamos”, ressalta.

Para Moreno, o principal objetivo quando escolhem territórios periféricos é de tornar visível a realidade de cada local, mas também fomentar atividades artísticas como ferramenta para lidar com estresse de áreas instáveis e seus desafios sociais.

Entretanto, algo que chamou a atenção dos organizadores foi que não era apenas uma ou outra família afetada pela pandemia, mas sim uma comunidade inteira. “Mais do que tocar músicas das memórias afetivas das pessoas, como era o plano inicial, transformamos em música vários casos e contos que ouvimos nas visitas técnicas. A pessoa ouve sua história, ri, entra no jogo e a memória está viva”, completa.

Como são as visitas

Cortejo-espetáculo conta com diversas músicas no repertório durante as apresentações

Cortejo-espetáculo conta com diversas músicas no repertório durante as apresentações

Foto: Mariana Rocha

De acordo com os organizadores, a equipe chega cerca de duas horas com antecedências nos locais recebidos com muito carinho pelos parceiros locais. Figurinos, objetos de cena, maquiagens e instrumentos fazem parte da cenografia e apresentação. O palhaço Minimusmaximus é sempre o primeiro a ficar pronto e já começa a chamar o público meia-hora antes da ação.

A criançada se aproxima e então começa as brincadeiras. Ao longo do cortejo, cerca de dez músicas se intercalam com cenas e jogos que envolvem todo o público ali presente. “É bem emocionante, tanto que é até difícil ir embora”, conta a organizadora.

Além dos cortejos-espetáculos, o elenco de palhaços musicais gravará em estúdio algumas das músicas apresentadas e realizará um clipe musical. Todo esse material será disponibilizado nas redes da organização e em plataformas de streaming. O projeto também prevê o lançamento de um e-book (livro eletrônico) com as histórias e letras das músicas escolhidas.

Serviço:
Serenatas Sem Fronteiras: Palhaços Sem Fronteiras Brasil
Grátis - Classificação Livre.

Dia: 9 de julho (sábado). Horário: 16h30.
Endereço: Ocupação União (Grajaú) - R. Cacique Veron, 39 - Sítio Matsumura, São Paulo (SP).

Dia: 10 de julho (domingo). Horário: 11h.
Endereço: Aldeia Tenondé Porã (Parelheiros): Estrada João Lang, 153 - Cipó do Meio, São Paulo (SP).

*Estagiário do R7 sob supervisão de Karla Dunder

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