Funcionário de hospital ganha festa ao receber alta após covid-19

Seu João não vê a hora de voltar ao trabalho após ficar 11 dias internado com a doença. Corredor, treina na laje de casa e curte a família na recuperação

Colegas fazem para festa para João ao deixar o hospital

Colegas fazem para festa para João ao deixar o hospital

Divulgação - 11.04.2020

A luta contra a covid-19 durou 11 dias e terminou com uma homenagem. Acostumado a servir lanche e café a médicos e enfermeiros do Hospital Albert Einstein, desta vez foi ele quem centralizou olhares e agrados no corredores. João Maria do Nascimento, o seu João do café, que trabalha há 32 anos ali, viu cartazes, bexigas e rostos sorridentes sob máscaras de proteção ao receber alta após sobreviver à doença.

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"Não aguentei. Fiquei muito emocionado. Eu chorei. Não estava esperando. As pessoas gritando meu nome, aquilo me deixou muito alegre. Chorei de alegria, não de tristeza. Alegria de ter saído daquela situação em que eu estava e aquela recepção daquelas pessoas gritando meu nome, com os balões. Fiquei muito feliz", conta.

Em seguida, veio a recepção da família, que ocupava seus pensamentos quando estava internado, respirando por aparelhos, na UTI. "Ficava pensando 'será que vou voltar pra minha casa?", diz seu João. "Passava pela minha cabeça dar um abraço nos meus netos, na minha esposa e nos meus filhos. É dificil viver numa situação daquela." 

João agora espera o momento de voltar ao trabalho e de retomar a rotina de corredor. Por enquanto, se alimenta bem - no cardápio de casa tem macarronada com frango, manga, banana e mamão - e caminha na laje de casa. No dia a dia, está acostumado percorrer a pé as ruas que ligam Taboão da Serra, na Grande São Paulo, onde vive, ao Morumbi, na zona sul da capital, onde fica o hospital. São 15 km correndo dia sim, dia não.

João agora se recupera em casa para retomar a rotina de corredor

João agora se recupera em casa para retomar a rotina de corredor

Divulgação - 11.04.2020

É com orgulho que fala dessa rotina, que adotou para tratar uma dor nas costas aos 38 anos. Sofreu nos primeiros dias de treino, mas incentivado por um amigo, persistiu. "Sou atleta. Corro maratona, São Silvestre. Foi embora dor na coluna. Estou com 60 anos, parecendo agora um garotão. Quando era mais novo, vivia encostado, quebrado. Agora não sinto nada. Faço minhas corridas, chego em casa, tomo banho, parece que eu estou renovado. A corrida me renovou."

O contraste é grande com a situação que descreve quando contraiu a doença. Começou sentindo fraqueza, cansaço e febre. Foi à médica, que o diagnosticou e recomendou que passasse 15 dias em casa de quarentena. Porém, cinco dias depois, sentiu a piora e foi ao hospital. Ele conta que, já na chegada, precisou de cadeira de rodas para se locomover e seguiu direto para a UTI, onde passou sete dias entubado.

"É um vírus muito perigoso e eu vi o estrago que ele está fazendo por aí", conta. Uma das filhas, que mora na Espanha, ficou desesperada ao saber da notícia. "Queria vir para o Brasil correndo, não sabia o que fazer. Ela também está de quarentena, não sai de dentro de casa, porque o negócio lá não está brincadeira também", detalha.

Ao longo da internação, recebeu, até o último dia 11, atendimento de médicos que ainda não conhecia. "Porque o hospital é muito grande. O médico que cuidou de mim foi a primeira vez que eu conheci. Mas conheço boa parte dos médicos. Sempre eles mandavam palavras positivas pra eu me recuperar", diz João. "Agradeço à equipe médica do hospital, agradeço ao hospital porque fui muito bem tratado, muito bem cuidado. E todos aqueles meus colegas que me deram todo apoio. Quando estava no quarto, comecei a receber cartaz, mensagem, bilhete, aquelas palavras me deixaram mais feliz. Agradeço a todos." 

Em todo o Brasil, assim como seu João, 31.142 conseguiram se recuperar da covid-19, representando 47% dos 66.501 casos confirmados até segunda-feira (27), de acordo com o Ministério da Saúde.