Homem recupera currículos e ajuda desconhecidos a encontrar emprego

Kaká D'Ávila já achou vários currículos extraviados pela rua, juntou, refez os mais amassados, tirou cópias e deixou em locais que estavam contratando

D'Ávila (centro) não cobra nada por esse trabalho

D'Ávila (centro) não cobra nada por esse trabalho

Reprodução/Facebook

Muitas vezes o desânimo faz uma pessoa que busca um emprego jogar o currículo fora. É uma forma de desabafo, que revela um sentimento de exclusão e a sensação de não ser ouvido. Em outras ocasiões, as próprias empresas descartam, sem terem dado a devida atenção.

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Capacidade, no entanto, todos têm alguma. E é nisso que Kaká D'Ávila, 38 anos, formado em Administração de Empresas, acredita. Por conta própria, ele resolveu resgatar alguns currículos extraviados, descartados no lixo, esquecidos, e apresentá-los a empresas.

Várias pessoas já foram empregadas após essa iniciativa. D'Ávila, que até abriu uma página no Facebook, se colocando à disposição com o seu WhatsApp, acabou dando prolongamento à sua função de recrutador, exercida formalmente por ele durante alguns anos.

Hoje trabalhando como servidor na prefeitura de Porto Alegre, cidade em que nasceu e mora, ele redescobriu essa função e a exerce de forma paralela, autônoma e voluntária. Acrescentando a ela empatia e uma boa dose de afeto.

"Não vejo como currículos, vejo como vidas em busca de uma oportunidade. Eu já estive desempregado e sei o quanto é desesperador", contou ele ao R7.

D´Ávila ressalta que, ao encontrar um currículo, vai em busca de locais especializados em recolocação profissional ou em empresas que possam estar interessadas.

"Primeiro eu distribuo os currículos nas agências de emprego e lugares que sei que estão contratando. Peço sempre para que os contratantes me dêem um retorno caso se interessem por algum candidato. E aos que forem pré-selecionados eu dou um retorno e os adiciono nos meus grupos do Whatsapp. Assim posso acompanhar e ir mantendo contato, ajudando, etc..."

Um dos casos que mais o tocaram foi quando ele conseguiu emprego para uma mãe aflita, vinda de longe.

"Teve uma história com a qual me emociono, de uma moça que caminhou vários quilômetros para vir falar comigo. Ela veio de longe, a pé e com a filha no colo. Não tinha com quem deixar a filha para ir largar os currículos nas agências e preencher as filas de emprego. Então eu me disponibilizei a ir junto com ela e ficar com a filha dela no colo enquanto ela preenchia as fichas. Fomos juntos, ajudei ela a fazer um currículo novo, paguei as passagens e dei dicas de locais que estavam contratando. Ela foi empregada no mesmo dia", lembra.

Em uma ocasião, ele encontrou vários currículos que estavam extraviados pela rua. D'Ávila conta que juntou todos, refez os mais amassados, tirou cópias de todos e deixou em locais que estavam contratando.

"Três dias depois 5 pessoas foram contratadas graças a essa ação voluntária", afirma, com orgulho.

Não se trata, porém, de um orgulho movido pela vaidade. Mas pelo amor ao próximo, conforme diz.

"Já estive desempregado por dois anos sei o quanto é difícil. Faço isso por amor, de graça, é um trabalho voluntário", garante.

E em meio a um momento no qual muita gente reclama da situação do Brasil, ele põe em prática aquela conhecida frase de John Fitzgerald Kennedy, ex-presidente dos Estados Unidos (20 de janeiro de 1961 a 22 de novembro de 1963): "Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país."

"Enquanto eu estiver vivo quero continuar oferecendo esse trabalho voluntário. A minha maior satisfação é saber que estou ajudando famílias a terem uma renda, a botarem comida na mesa, a terem dignidade e isso é o que vale para mim, isso é o que faz eu me sentir o homem mais rico do mundo."

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