Virtz Jovens recolhem lixo do oceano e criam móveis sustentáveis

Jovens recolhem lixo do oceano e criam móveis sustentáveis

Empreendedores ficaram surpresos ao saber que as mortes de tartarugas são causadas por redes fantasmas e decidiram criar uma forma para reduzir o problema

  • Virtz | *Alex Gonçalves, do R7

Resumindo a Notícia
  • Rede fantasma é o equipamento de pesca descartado ou perdido no mar

  • Solução criada visa a redução das mortes de animais marinhos, como a tartaruga

  • Coleta do lixo encontrados no oceano é feita a partir de parceria

  • Oceanos recebem cerca de 8 milhões de toneladas de plástico ao ano, informa especialista

Rubens e Mateus mostram rede fantasma encontrada no oceano

Rubens e Mateus mostram rede fantasma encontrada no oceano

Divulgação/ Eco Flame Garden

Foi durante uma visita feita pelos empreendedores Rubens Stuque, 27 anos, e Mateus Ferrareto, 25 anos, ao Projeto Tamar, na Praia do Forte, na Bahia, que eles se surpreenderam ao saber que as redes fantasmas de pesca representavam 80% das mortes das tartarugas-marinhas.

"Conhecemos os estudos produzidos pela organização e os reais problemas relacionados à poluição dos oceanos", diz Stuque. "Ficamos surpresos com os dados relacionados a rede fantasma."

Impactados, os jovens decidiram ajudar a reduzir o problema e decidiram criar móveis a partir da rede dos pescadores.

Ferrareto explica que as pessoas têm a falsa sensação de que apenas os canudos plásticos são os vilões nos mares e oceanos. "Conversando com o pessoal do Tamar, vimos que este é apenas um dos problemas que representam cerca de 2% das mortes dos animais marinhos em todos os lugares. O que realmente mata é a rede de pesca", diz.

Os jovens fundadores da Eco Flame Garden, empresa de móveis voltadas às ações de sustentabilidade, foram além e pensaram numa ideia que pudesse fazer sentido para todos os grupos envolvidos. "Fechamos uma parceria com a ONG Marulho, que realiza a coleta de lixo e das redes do fundo do mar. Com a doação das redes, nós realizamos uma limpeza e fazemos um tratamento para ser usada nos enchimentos dos pufes que criamos", explica Ferrareto.

Pufes são preenchidos com o lixo retirado do oceano

Pufes são preenchidos com o lixo retirado do oceano

Divulgação

A iniciativa também gera renda extra aos pescadores, incentivados a fazer a coleta e recebem um valor pago pelos jovens. “Antes eles não conseguiam monetizar com o recolhimento das redes,  agora, além do benefício ecológico, em que damos um destino certo as redes, os pescadores também se beneficiam com a ação”, comenta Stuque.

Segundo os rapazes, a ideia é fomentar essa ação de resgate com outras instituições. “Também temos a intenção de utilizar até 70% dos enchimentos com as redes captadas do mar”, finaliza Ferrareto.

Rede fantasma

Nina Marcovaldi, coordenadora de projetos e ações para sustentabilidade do Projeto Tamar, explica que a rede fantasma é o equipamento de pesca descartado ou perdido no mar, sendo uma ameaça à vida marinha. São redes de emalhar e de arrasto, varas, linhas, anzóis, potes, entre outros. "Todos os anos, pelo menos 640 mil toneladas de redes fantasma chegam aos oceanos, matando e mutilando milhões de animais", conta. Além de ficarem presos, a ingestão de restos desses objetos também pode levar a morte, relata a coordenadora.

Ainda, segundo Marcovaldi, os oceanos recebem 8 milhões de toneladas de plástico por ano "representando um caminhão a cada minuto!". O plástico é uma ameaça para as tartarugas em todas as suas fases de vida. Nas praias, podem atrapalhar a desova e dificultar a caminhada dos filhotes para o mar. No ambiente marinho, o lixo pode ser confundido com águas-vivas e algas, que servem de alimento para algumas espécies.

Nina mostra a espécie tartaruga cabeçuda, que mais faz desova na região da Bahia

Nina mostra a espécie tartaruga cabeçuda, que mais faz desova na região da Bahia

Crédito: isaac Pereira

Para Nina, a parceria com os jovens empreendedores mostra que o projeto tem atingido o seu objetivo . "Estou falando do bem-estar de quem visita o Tamar. A cada visitação o público contribui diretamente com nossas ações de pesquisa, desenvolvimento sustentável e inclusão social. Costumo dizer que nosso maior 'patrocinador' é quem nos apoia e valoriza nosso trabalho ano após ano. É o público que aprende, se diverte, e faz presença em nossos centros de visitantes em todo Brasil", finaliza.

*Estagiário do R7 sob supervisão de Karla Dunder

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