Virtz Me incomodam formaturas só com brancos, diz jornalista da Record TV

Me incomodam formaturas só com brancos, diz jornalista da Record TV

Em painel do evento online gratuito Afro Presença, o jornalista da Record TV Luiz Fara Monteiro discutiu a importância da diversidade

  • Virtz | Ana Clara Arantes, do R7

Jornalista Luiz Fara Monteiro, da Record TV, mediou conversa

Jornalista Luiz Fara Monteiro, da Record TV, mediou conversa

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O evento online Afro Presença, do MPT (Ministério Público do Trabalho) e do Pacto Global da ONU (Organização das Nações Unidas), realizou na tarde desta quarta-feira (30) o painel "Como a comunidade negra pode ocupar cargos de liderança nas empresas".

Leia mais: Evento online aborda inclusão de jovens negros no trabalho

Mediada pelo jornalista da Record TV Luiz Fara Monteiro, a conversa contou com a participação de Gilberto De Lima Costa Junior, diretor executivo da J.P. Morgan, e Wellington Donizeti Silverio, diretor de Recursos Humanos na John Deere.

O jornalista revelou um dos incômodos que sente com relação à falta de diversidade: "Me incomoda quando vejo fotos de formaturas só com pessoas brancas". Para os três, os movimentos de inclusão são importantes, mas ainda há muito caminho pela frente.

Os líderes contaram sobre suas trajetórias de vida e de carreira. Wellington destacou que, logo que entrou para a graduação de psicologia, percebeu que o mercado de trabalho seria mais difícil por ter "um marcador social" - sua raça.

"Minha capacidade não é definida pela cor da minha pele, mas para me destacar percebi que deveria buscar aprimoramento. Enfrentei as desconfianças com base em questões raciais. Felizmente, tive oportunidade de provar meu empenho e dedicação", lembra o diretor de Recursos Humanos.

Poder provar sua capacidade é uma questão de oportunidade, segundo aponta Gilberto. "É preciso ter uma mentoria e liderança dentro das organizações, que dê apoio e suporte para os jovens", observa ele.

Inclusão e diversidade

Políticas claras de combate ao racismo nas organizações ajudam na contratação de pessoas negras em empresas. Entretanto, eles destacam que é necessário mais que a contratação.

"Os jovens precisam ter referência para perceberem que é possível chegar em uma posição de liderança. Não basta ter estagiários negros na empresa. É preciso ter plano de carreira, efetivar as pessoas negras. Quanto mais pessoas negras, quanto mais mulheres, quanto mais LGBTs e pessoas que cresceram em situação de vulnerabilidade em cargos de lideranças, maior será a diversidade e a inclusão no mercado de trabalho", afirma Gilberto.

De acordo com Wellington, olhar as pessoas pela lente do preconceito impede que os responsáveis pelas contratações quebrem essa barreira. "O racismo é uma realidade. Se não é explícito, é velado. Temos filtros e pré-julgamentos; quando removemos isso é possível ver além, ver o potencial. Portanto, é preciso abrir a mentalidade e investir no desenvolvimento e estrutura de apoio para alcançar um equilíbrio dentro das empresas", aponta.

Além disso, os líderes destacam a importância de se perceber a condição social de cada jovem, para que a oportunidade oferecida para cada um seja igual. "Não há meritocracia. Ninguém veio do mesmo lugar, por isso, é necessário que as oportunidades levem em consideração a história de cada ser humano", opina o diretor da J.P. Morgan.

Dicas

Para os jovens negros e jovens negras que estão começando no mercado de trabalho, a dica do diretor de Recursos Humanos da John Deere é: "Ouse e persevere". Para ele, as dificuldades devem dar força para nunca desistir.

Para as empresas, o Diretor Executivo da J.P. Morgan diz que é importante ter políticas de inclusão e diversidade, mas, principalmente, colocá-las em prática. "O que vai ser bom para as pessoas dentro da organização é reproduzido fora dela, ajudando e servindo a sociedade", conclui.

O evento Afro Presença continua até sexta-feira (2) com painéis e debates. Para conferir a programação completa e saber como acompanhar os debates, acesse o site oficial.

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