Conheça a história da protetora que usa seu próprio salário para manter ONG em Cajamar (SP)

Tânia Angiolucci cuida de 203 cães e 38 gatos e afirma que ama mais os bichos do que sua própria vida

Tânia Angiolucci é a responsável pela APATA, que cuida de 203 cães e 38 gatos

Tânia Angiolucci é a responsável pela APATA, que cuida de 203 cães e 38 gatos

Reprodução/Arquivo pessoal

Tânia Angiolucci tem 57 anos e é funcionária pública da Prefeitura Municipal de Osasco (SP). Há 20 anos, ela morava há cinco minutos de distância do trabalho e tinha uma vida tranquila e confortável. No entanto, algo fazia de Tânia uma mulher com um propósito a mais: o amor pelos animais. Desde criança, ela esteve cercada por cães e gatos e já na vida adulta cuidava de mais de 20 deles.

Aos finais de semana, Tânia aproveitava o sítio onde os pais moravam, na região de Cajamar, interior de São Paulo, para descansar com seus peludos. Mas no caminho até o local começou a perceber que havia um número considerável de animais abandonados. “Eu observei que existiam muitos cães abandonados na região, que é cercada por mata. Isso favorecia a covardia de algumas pessoas, que iam de carro até lá, abriam a porta e simplesmente largavam na beira da estrada os cães”, recorda.

Tânia observava também que, devido às condições financeiras desfavoráveis, os moradores da região não resgatavam os animais, que acabavam fugindo para a mata e morriam de frio ou fome. “Isso era uma realidade muito triste de se ver. Assim, morrendo de pena, eu parei o carro e socorri um. Na semana seguinte, peguei uma ninhada de recém-nascidos, e depois outro, outro... e as pessoas descobriram que eu pegava e passaram a deixar no portão da minha mãe”, lembra.

Foi assim que, mesmo sem intenção, Tânia se tornou uma protetora de animais. Com a morte do pai, ela se mudou para o sítio e passou a cuidar pessoalmente de todos os resgatados. “Eu, por muitos anos, levantava de madrugada para lavar canil, fazer curativos, dar remédios e depois ia ao trabalho”, conta.

A ONG foi oficializada em 2016 e precisa de doações

A ONG foi oficializada em 2016 e precisa de doações

Reprodução/Arquivo pessoal

A criação da APATA
Sobrecarregada com a rotina dividida entre o emprego e o cuidado com os animais, Tânia contratou uma pessoa para ajudá-la e fundou a APATA, Associação Protetora dos Animais Tânia Angiolucci, ONG que está em funcionamento desde 2016. Sem ajuda de órgãos públicos e contando com doações, a APATA é mantida, majoritariamente, por meio do salário de Tânia como funcionária pública. “Hoje, a APATA sobrevive do meu salário. Eu só trabalho para poder cuidar, então, minha vida mudou completamente”, explica a protetora.

Mesmo em meio às dificuldades, Tânia diz que não conseguiria imaginar outra rotina para sua vida que não incluísse a proteção e o cuidado dos animais. “Eu não consigo ter uma vida diferente. Para mim todo dia é uma nova luta, mas eu não consigo olhar para eles e não os amar profundamente. Não posso assistir o sofrimento desses bichinhos inocentes e não fazer nada. Eu os amo mais do que minha própria vida”, conta.

O funcionamento da ONG
Atualmente, a APATA abriga 203 cães e 38 gatos disponíveis para a adoção. Os animais que são resgatados ficam em observação em um canil identificado como “quarentena”, onde recebem os primeiros cuidados e fazem sua adaptação ao local. Depois dessa etapa, eles vão para o convívio e recebem todo afeto de Tânia. “Na APATA nenhum animal vive preso, todos são soltos, um interage com o outro, nenhum fica na coleira ou corrente. É a casa deles”, explica.

Tânia dedica todo o seu salário ao funcionamento da organização, mas também conta com o apoio de doações, rifas e bazares, além de iniciativas como o Projeto Medicina Veterinária do Coletivo, do Instituto PremieRpet® em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), que fazem a diferença para viabilizar as adoções “Temos também alguns amigos que ajudam com valores mensais e temos conseguido mais pessoas que vão lá, conhecem o nosso trabalho e como funciona e se encantam com a limpeza, a qualidade, e acabam divulgando. Um ou outro acaba ajudando e isso, para nós, é de grande importância e valia”, compartilha Tânia.

"Na APATA nenhum animal vive preso, todos são soltos, um interage com o outro, nenhum fica na coleira ou corrente. É a casa deles"
Tânia Angiolucci
Muitos cães e gatos aguardam adoção na APATA

Muitos cães e gatos aguardam adoção na APATA

Reprodução/Arquivo pessoal

As adoções
Os interessados em adotar preenchem um questionário sobre as intenções e sua disponibilidade para ser um possível tutor, e depois recebem a visita de Tânia, que verifica as condições do local onde o animal viverá. O futuro tutor também é convidado para conhecer a APATA e interagir com o animal que pretende adotar. “Depois desses passos, há a assinatura de um termo e um acompanhamento frequente de todas as adoções”, explica.

“Nós sempre preferimos que a pessoa vá, leve o animal para passear, interaja. Principalmente para cães adultos, que já têm uma rotina”, diz a protetora. Isso porque muitos deles já estão no local há muitos anos e precisam de tempo para se adaptarem à nova moradia. Desde o início da APATA, 165 animais já encontraram novos lares por meio da organização de Tânia.

Com a pandemia do coronavírus, a APATA notou um aumento no número de adoções. “Doamos bastante filhotes, mas cães adultos foram apenas dois”, explica. Apesar da alta na procura em razão do isolamento social, Tânia confirma que os cuidados na aprovação de um interessado por adoção continuam os mesmos.

Parceria Premier
A APATA é uma das ONGs parceiras do Instituto PremieRpet®, braço social da PremieRpet®, que incentiva pesquisas e ações que visem promover saúde, qualidade de vida e longevidade dos animais. Entre suas diversas atividades, está o apoio a ONGs como a APATA.

PremieRpet®. Existimos para tornar a relação das pessoas com seus animais de estimação a mais próxima, prazerosa e longa possível.