Preço cai e camarão vermelho volta à mesa dos espanhóis no isolamento

Considerado iguaria, fruto do mar custava no mínimo cem euros (R$ 558) o quilo. A queda na procura baixou preço para 'apenas' 36 euros (R$ 200,80)

Espanhóis voltaram a comer camarão vermelho em casa durante o isolamento

Espanhóis voltaram a comer camarão vermelho em casa durante o isolamento

Divulgação/Rainier Lievercheidt/Pixabay

O camarão vermelho brilhante pescado na costa da Espanha é um dos orgulhos da gastronomia daquele país. Considerado iguaria por lá, tem perfume arrebatador quando pronto e sabor intenso, quase explosivo, de tomar a boca por completo.

A concorrência por uma porção torna-se ainda mais forte no período das festas de Natal e Ano Novo. Mas, até o início da pandemia, preço desse fruto do mar nos mercados espanhóis tornou proibitivo para a suprema maioria das famílias.

As limitações impostas à captura, para melhor reprodução da espécie, aliadas à concorrência com os donos de restaurantes chiques, quase sempre dedicados a turistas, levaram o preço do quilo, antes da pandemia, a espantosos cem euros (cerca de R$ 558 ao câmbio de terça-feira 9), nos leilões de pescadores em locais como o balneário de Llançà, na região da Catalunha, onde fica Barcelona.

E a bem mais do que isso nas pontas finais de venda ao consumidor, em mercados e casas especializadas.

Mas como até mesmo o isolamento provocado pelo surto de coronavírus pode ter algum efeito colateral positivo, os espanhóis receberam com alegria, nos últimos meses, o fato de poder comprar porções do bichinho a preços, digamos, aceitáveis seus padrões.

Com a interrupção de venda para restaurantes sofisticados, fechados no isolamento, o preço de repasse do camarão vermelho brilhante desabou dos “bem mais de cem” para até 36 euros (R$ 200,80) na oferta ao consumidor final. Até o início do isolamento, 90% do volume capturado parava nas mãos dos donos de restaurante.

No Brasil esse novo preço ainda seria uma pequena fortuna. Mas na realidade espanhola, foi o bastante para que milhões de cidadãos e famílias interrompessem o divórcio forçado de meses e até anos com os desejados camarones rojos.

Para os pescadores e trabalhadores dedicados à captura, restou o consolo de que os preços dos combustíveis e insumos utilizados nos barcos também caíram acentuadamente, o que diminuiu bastante os custos da atividade.

Pescar camarones rojos é tarefa difícil: 12 horas no mar podem render apenas entre dez e 12 quilos da iguaria, informa o jornal americano The New York Times.