Projeto do Lions Clube produz em larga escala máscaras face shield 

Campanha da entidade já beneficia gratuitamente 32 hospitais de São Paulo; já foram fabricadas 10 mil das 50 mil previstas inicialmente 

Lions Clube fabrica e doa máscaras face shield

Lions Clube fabrica e doa máscaras face shield

Fernik / Divulgação

O Lions Clube da cidade de São Paulo entrou na luta para fabricar equipamentos de proteção aos profissionais de saúde do país. Desde o dia 8 de abril, por um projeto desenvolvido na entidade, já foram fabricadas mais de 10 mil máscaras face shield — com visor transparente, presa por um aro no alto da cabeça. "Nossa intenção inicial era chegar a 50 mil, mas devemos ir bem além disso", explica Waldoylson da Silva Miranda. coordenador da campanha.

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Waldoylson, além de projetista de máquinas e ferramentas, ocupa o cargo de governador do chamado distrito LC-2 do Lions Clube, que comprende a capital paulista e diversas cidades do estado.

É dele também a Fernik, indústria de componentes eletroeletrônicos da capital que foi adaptada para a produção das máscaras, e o projeto inovador, que utiliza máquinas da indústria remodeladas e moldes próprios.

"Eu, por ter 61 anos e estar no grupo de risco para o coronavírus, fui obrigado pelos meus filhos a parar de trabalhar no dia 18 de março", contou o empresário. "Um amigo me perguntou se não poderíamos fazer essas máscaras na impressora 3D. Estudei o assunto em casa e vi que cada uma demoraria de 2 a 3 horas para ser produzida, seria inviável. Desenvolvi então um projeto para adaptar duas máquinas de injeção plástica. Cada uma fabrica 187 peças por hora." 

Trabalho com proteção

Como a Fernik estava parada por causa do isolamento imposto pela pandemia, Waldoylson treinou parte de seus funcionários e retomou as atividades com esse objetivo solidário. Trinta e dois hospitais paulistas estão cadastrados e já começaram a receber os itens de proteção gratuitamente.

"Estamos em 10 pessoas trabalhando com toda proteção necessário, usando álcool gel e mantendo o distanciamento", deixa claro o industrial, talvez para evitar nova cobrança dos filhos. 

Para custear a empreitada, o governador do Lions Clube contou com a ajuda de outros empresários e um auxílio de US$ 10 mil da sede da entidade, nos Estados Unidos. 

Sua intenção é convencer outras indústrias a aderirem ao projeto. "O setor de saúde precisa de 15 milhões de máscaras desse tipo. Há muito trabalho para ser feito", afirma. 

"Se conseguirmos mais doações, compramos mais materiais e, se Deus quiser, vamos dobrando, triplicando a quantidade. Temos que cuidar da vida e da segurança destes profissionais."

Waldoylson já foi procurado por uma outra empresa que tem a intenção de produzir um milhão de máscaras.

A vantagem da face shield feita pela Fernik está na velocidade da fabricação e também no custo. "Numa conta de padeiro, até porque estou trabalhando muito e não tive tempo de fazer esse cálculo, uma máscara dessa poderia ser vendida por menos da metade do preço dos produtos similares que estão no mercado [comercializados, em média, por R$ 25]." 

O Lions Clube é uma entidade filantrópica fundada em 1917, nos Estados Unidos, e que hoje está em 216 países, com 1 milhão e meio de associados. No Brasil, são 4.600 clubes e 45 mil frequentadores.

Divulgação / Lions Clube