Renata Alves fala com nordestinas que ganharam o mundo 

A empresária Daniela Sena e a estudante Natália Cecília compartilharam suas histórias, conquistas e ressaltam origens nordestinas

Renata Alves conversou Daniela Sena na super live SOS Famílias do Sertão

Renata Alves conversou Daniela Sena na super live SOS Famílias do Sertão

Reprodução/Record TV

Nesta quarta-feira (28), a apresentadora do Hoje em Dia, Renata Alves, bateu um papo com Daniela Sena e Natália Cecília para a "Super Live SOS Famílias do Sertão"disponível em todas as redes sociais da RecordTV.

Natália é de Arapiraca, interior de Alagoas e coração do agreste, como ela mesmo define sua cidade natal. A jovem, de apenas 23 anos, é estudante de Relações Internacionais e foi aprovada na universidade de Harvard, uma das mais famosas e tradicionais universidades do mundo, para cursar economia, pelo período de um ano. 

Já Daniela, de 30 anos, é outra nordestina que ganhou o mundo. Natural de Aracaju, capital de Sergipe, a empresária vive desde 2010 na China. Ela é mestre em Gestão de Negócios Internacionais na Hangzhou Dianzi University e é também diretora-executiva da Continental Comex, uma empresa de assessoria ao comércio exterior que facilita negociações entre a China e o Brasil. 

Na conversa, Daniela contou o que a motivou, aos 20 anos, ir para China, um país de cultura muito diferente da do Brasil, de língua e culinária muito distantes da realidade brasileira. 

"Na verdade eu nunca imaginei que fosse viajar pra Ásia ou, especifamente, pra China. Um dos amigos da minha mãe, que já exportava da China, ao voltar de uma das viagens, ele estava encantado com o país e comentando o quanto a cultura era diferente e o quanto eles vinham crescendo. E aí ele me perguntou: 'Dani, quantas pessoas você conhece que falam inglês? E quantas que falam mandarim?' Aquilo me instigou muito", respondeu Daniela.

Coronavírus

Por estar morando há 10 anos em território chinês, uma pergunta que não podia faltar era sobre a pandemia de covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus. Daniela lembra que chegou a achar que tudo se resolveria em algumas semanas, mas, conforme o tempo foi passando, a coisa foi ficando séria. 

"As restrições foram ficando mais persistentes. A gente não podia mais sair de casa, a gente não podia receber visita. Todas as compras online que a gente fazia, elas eram entregues na porta do condomínio, não podia ter mais contato com o entregador, então era realmente zero contato com pessoas de fora. Ficamos duas semanas aqui trancadas, recebia notícias pela minha mãe, que estava no Brasil, mas estava aflita, preocupada. A gente não sabia quando iria acabar", relata a empresária. 

Daniela, no entanto, exaltou a atuação firme do governo chinês em seus esforços para combater a doença. "Eles tinham controle absoluto. A gente tinha um aplicativo que te rastreava, monitorava sua movimentação. Você tinha um código de saúde que te alertava se você estivesse em determinadas áreas de risco, e ai você não conseguia pegar nenhum tipo de táxi, eles bloqueavam qualquer tipo de acesso que você pudesse ter com outra pessoa. Até hoje é assim, apesar de ter estabilizado [a doença]", relembra. 

"Eles utilizavam muito da tecnologia para estar a frente da doença, usavam drone para conscientizar a população, sobre lavar as mãos, higienizar, etc. A gente, até hoje, tem um código, um green code, que te permite entrar no seu condomínio, pegar táxi, entrar no mercado, etc. A todo momento eles medem sua temperatura, então eles têm o controle da situação, até para evitar um novo surto", conta.  

10 anos na China

Daniela saiu do Brasil aos 20 anos. Atualmente, a empresária é um exemplo de sucesso no mundo. A sergipana falou sobre a saudade de Aracaju e as características que fazem do Nordeste uma região única. "O que faz mais falta é a família e os amigos. Mas, sem dúvidas, a comida também. Nosso acarajé, açaí, são coisas que você não encontra em nenhum lugar do mundo", diz. 

Hoje, 10 anos depois de se aventurar fora do Brasil, a empresária se diz satisfeita com o rumo que tomou e fala sobre uma iniciativa que criou na China para integrar mulheres empreendoras estrangeiras, com o público local. 

"Me sinto muito satisfeita pelas conquistas que eu consegui. Foi tudo com muito esforço. Hoje eu tenho uma comunidade de mulheres empreendedoras, são mais de 1.000 mulheres, de 65 países diferentes. A gente tenta conectar as mulheres de fora com as mulheres chinesas e incentivar elas a criarem os próprios negócios, a conquistar seus sonhos, porque, sem dúvidas, são muitas barreiras, por conta de lingua, cultura, etc", conta. 

"Essa comunidade é uma das coisas que eu me sinto mais orgulhosa, por ter conquistado algo e estar auxiliando outras mulheres a seguirem seus sonhos. É possível, persistam no que vocês querem. Tudo o que vocês sonham, trabalhem para isso se realizar. Eu nunca imaginei que pudesse conquistar tantas coisas e hoje sou feliz e realizada", completa.

De Alagoas para Harvard

Natália Cecília falou sobre o desafio de ser aprovada para um intercâmbio em Harvard

Natália Cecília falou sobre o desafio de ser aprovada para um intercâmbio em Harvard

Reprodução/Record TV

Após a conversa com Daniela, foi a vez de Natália Cecília compartilhar sua história. A jovem foi aprovada para um intercâmbio de um ano em Harvard, uma das mais tradicionais universidades do mundo. 

A estudante de Relações Internacionais falou sobre a trajetória, de Arapiraca, interior alagoano, até o sonho realizado de cursar economia nos Estados Unidos. "Eu terminei meu ensino médio em 2013 e aí fui fazer curso técnico. Foi só em 2018 que eu decidi finalmente o que queria fazer na faculdade. Não queria uma profissional tradicional. Quem é do sertão sabe, quando seus pais não tiveram oportunidade de estudar e você tem, eles vão te induzir a cursar medicina, direito e se eles são um pouco mais liberais pode ser engenharia. Mas eu sabia que não era isso que eu queria", lembra. 

Por não ter sua opção de curso em nenhuma universidade da região, Natália fez o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e acabou indo para a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), a 3 mil quilômetros de Arapiraca. "Um dia eu tava vendo uns vídeos engraçados e acabei encontrando um da Tabata Amaral, que hoje é deputada federal por São Paulo. Na época ela nem era candidata e contava como saiu da Vila Missionária, uma comunidade pobre, e chegou em Harvard. E ela era tão sincera, tão genuína ao falar sobre a dificuldade de chegar lá, mas que não era impossível. Eu me identifiquei com aquilo e pensei que eu também podia ser aluna de uma universidade como essa".

Ela conta que, por não conhecer ninguém que tinha se aventurado em algo parecido, não sabia nem por onde começar. "Eu não fazia a menor ideia de como funcionava o vestibular americano. Era algo muito distante. Alguns professores se dispuseram a ajudar e ai comecei a pesquisar muito, mandava e-mail para pessoas que eu nem conhecia mas via que eram alunos de lá, tirava dúvidas com eles e conservava sobre a faculdade", relembra. 

Na primeira tentativa não deu certo. Mas, agora em 2020, a alagoana recebeu a notícia: ela seria aluna de Harvard. "Eu chorava e chorava. Chorei que nem recém nascido, não acreditava, acho que passei duas horas chorando, porque foi um baque, finalmente deu certo", diz. 

Devolvendo a comunidade

Paralelamente ao sonho de entrar em Harvard, Natalia criou uma conta no Instagram para ajudar e motivar aqueles que tenham objetivos parecidos com o dela. "A gente divulga informações e experiências de pessoas que passaram por isso, sobre processo seletivo, oferta de bolsas, etc. Mas, acima de tudo, a gente passa o recado de que entrar numa universidade dessas não é coisa de gênio, para tirar esse distanciamento que muita gente tem. Ninguém pensou que um dia eu entraria lá, porque depois do colégio eu não passei no vestibular, não fui bem no Enem. Só entrei em faculdade cinco anos depois do ensino médio", comenta. 

"Minha terra é meu orgulho, meu sotaque é minha força"

Apesar de hoje não morar mais em Arapiraca, Natalia não se esquece de suas origens. "É lenbrar de onde eu vim. A gente sabe, de onde nós viemos, já determinam muita coisa na nossa vida, inclusive como a gente vê o mundo. Eu tenho muito orgulho de ser sertaneja, do jeito que eu falo. Morro de saudades de um cheiro de cuzcuz com café e eu carrego essas coisas comigo. Eu sinto que tenho uma obrigação social com meu estado, de no futuro agir e dar oportunidade para outros jovens", afirma. 

Veja a entrevista completa

*Estagiário do R7, sob supervisão de Thiago Calil