Saiba como reaproveitar os resíduos do café após o consumo

Cápsulas podem ser recicladas e resíduo orgânico pode ser usado em máscaras faciais, no tingimento de tecidos e na compostagem

Os resíduos  orgânicos e secos do café podem ser reaproveitados

Os resíduos orgânicos e secos do café podem ser reaproveitados

Foodie Factor/ Pexels

Introduzidas no mercado brasileiro em 2006, as cápsulas de café ganham cada vez mais espaço pela praticidade e variedade de sabores. Mas muita gente se questiona sobre o lixo gerado por cada cafezinho. É aqui que entra a boa notícia. Tanto as cápsulas de plástico como as de alumínio podem ser recicladas. Incluindo a borra de café.

As cápsulas devem ser encaminhadas para a reciclagem

As cápsulas devem ser encaminhadas para a reciclagem

Reprodução/Wallpaper Flare

O resíduo seco, que é o material de plástico ou alumínio, deve ser enviado para reciclagem. É possível descartar em postos apropriados ou separá-lo para a coleta seletiva de sua cidade. 

Antes de dispensar, é necessário limpar as embalagens. “Deve ser feita a limpeza das cápsulas antes da coleta. A borra pode ser usada para compostagem ou descartada no lixo comum”, explica a Acopppmar (Associação de Coletores de Plástico, PET, PVC e outros Materiais Recicláveis).

Além de ser usada como adubo, a borra de café pode ser reaproveitada de várias formas. Veja abaixo algumas dicas de como reaproveitar o resíduo:

Pele

::: Esfoliante

::: Máscara facial

::: Olheiras

De acordo com o dermatologista Francisco Carlos Sousa Ferreira, não há grandes estudos científicos sobre a ação da borra de café. Entretando, ele explica que ela combate radicais livres e ajuda na diminuição do processo inflamatório.

"A partir daí, é possível imaginar sobre sua utilização como, por exemplo, um calmante da pele. Existe também um potencial no antienvelhecimento e antibacteriano. Inclusive, no passado, era comum utilizar a borra em feridas", relata o médico.

O dermatologista explica que, para tratar o rosto, é possivel misturar a borra do café com azeite ou mel, em quantidades iguais. Ele lembra que as técnicas não são cientificamente comprovadas, mas devido às propriedades do resíduo, é possível que, de fato, ele auxilie nos processos antiflamatórios e antibacterianos.

Plantas

::: Compostagem

Borra pode ser usada sem açúcar

Borra pode ser usada sem açúcar

Stephanie Albert/Pixabay

Após coar seu café, você também pode utilizar a borra para fertilizar suas plantas. O biólogo e mestre em Ecologia Henrique Lomônaco diz que a borra de café pode se tornar adubo orgânico: "Na composteira, a borra passa por um processo de decomposição por bactérias, fungos e minhocas. E se torna um material orgânico de excelente qualidade".

O especialista chama a atenção para o açúcar: "Na compostagem essa substância não é bem-vinda. É importante não usar a borra como adubo se o pó do café tiver sido adoçado". Além disso, é necessário consultar um especialista quando for aderir a este processo, para se informar quanto a quantidade correta de borra com relação ao local.

Roupas

::: Tingimento

Se quiser uma peça de roupa com cara nova, o designer de moda João Martins dá a dica de como utilizar a borra para mudar a cor do tecido, mas destaca que a técnica é ideal para tecidos de fibra natural.

"Fibras como a poliéster e a poliamida precisam de um tingimento especial, bem como fixadores. A borra pode ser reaproveitada para coloração em tecidos como algodão e linho, desde que não tenha açúcar no resíduo", explica.

O especialista diz que a borra pode ser usada seca ou logo após ter coado o café. "Coloque a peça em um recipiente com água e o resíduo e leve ao fogo e deixe ferver por 25 minutos. Em seguida, espere esfriar".

Após esta etapa, há duas opções: esperar secar ainda com a mistura ou enxaguar em seguida. "Quando o suco da borra de café seca no tecido, a pigmentação funciona melhor", informa o designer de moda.

"É possível tingir roupas brancas ou off white para dar um tom de envelhecido a elas. Se for uma coloração azul ou rosa, é possível fechar o tom das cores", detalha.

Ele ainda ressalta que, para um tingimento mais uniforme, o processo deve ser repetido por mais duas ou três vezes. "Assim a colaração fica mais escura".