Virtz Voluntários doam kits a famílias que vivem em trilhos de trens

Voluntários doam kits a famílias que vivem em trilhos de trens

Moradores de ocupação na periferia de Campinas recebem cestas básicas e produtos de higiene e limpeza

  • Virtz | Luciana Mastrorosa, do R7

Projeto leva alimentos, itens de higiene e limpeza a famílias vulneráveis

Projeto leva alimentos, itens de higiene e limpeza a famílias vulneráveis

Divulgação

Juliana Batista de Paiva, de 34 anos, é bancária. Porém, o trabalho em tempo integral não a impede de participar de diversas ações solidárias, como o projeto Ajuda nos Trilhos, que dá apoio a famílias em situação de vulnerabilidade social nas regiões periféricas de Campinas, interior de São Paulo.

Todo mês, ela, o marido e outros voluntários procuram ajudar cerca de 10 famílias que moram em ocupações à margem dos trilhos de trem, no Jardim Santa Eudóxia. A essas famílias, que vivem em condições precárias de moradia, toda ajuda é bem-vinda. E, com o apoio de Juliana e os demais voluntários, essas pessoas podem ter acesso a kits completos com alimentos, itens de higiene e de limpeza.

"Eu me aproximei deles no ano passado, em junho. Comecei a doar pontualmente algumas coisas, como produtos de higiene e limpeza, e marmitas veganas", conta Juliana, em entrevista ao R7. "Em dezembro, levamos mais algumas coisas para celebrar o Natal, mas sempre eram atividades pontuais. Senti necessidade de fazer algo a mais", diz ela.

Cesta completa

Para levar a cabo seu projeto, desde o início deste ano Juliana montou um grupo no WhatsApp com mais três pessoas para que, juntos, pudessem arrecadar alimentos e recursos para fazer as marmitas e montar as cestas básicas e os kits.

A partir daí, o movimento começou a se ampliar gradativamente e hoje tem um perfil no Instagram e o pix ajudanostrilhos@gmail.com para quem quer contribuir com dinheiro para a compra dos alimentos e produtos de higiene e limpeza. Juliana e seu marido são os responsáveis pelas compras e prestam contas sobre o que entrou e o que foi gasto.

Juliana, o marido e outros voluntários entregam os kits nas moradias à beira dos trilhos de trens

Juliana, o marido e outros voluntários entregam os kits nas moradias à beira dos trilhos de trens

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Ela é vegana, ou seja, tem um estilo de vida que exclui os animais e seus derivados da alimentação. Por isso, preza por marmitas que sigam sua escolha alimentar e filosófica, inclusive na escolha das marcas dos produtos. Mas isso, como frisa ela, não a impede de adicionar às cestas básicas todo tipo de contribuição que recebe, vegana ou não.

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"Nós temos consciência de que a fome e a desigualdade são muito maiores que o veganismo. Sempre acontece de as pessoas doarem sardinhas, leite, bolacha, e nós levamos esses produtos para as famílias, sim, sem problema algum. As pessoas precisam comer", defende ela.

Atualmente, a ajuda do grupo a essas famílias extremamente vulneráveis não se restringe apenas aos produtos entregues mensalmente. Em alguns casos, os membros do grupo se reúnem também para tentar melhorar as moradias das famílias, na medida do possível, já que se trata de uma ocupação. E, também, para levar a eles a importância de vacinar-se contra a covid-19, neste momento crítico em que o Brasil e o mundo enfrentam.

Precisa-se de voluntários

Tudo é feito, ainda, em pequena escala, contando com apoio dos amigos, conhecidos e de gente interessada em fazer algo a mais para ajudar a sociedade neste momento de tanta limitação por conta da pandemia. "A gente monta as marmitas, meu marido faz as entregas, é tudo muito comunitário, todo mundo se ajuda", afirma Juliana.

Para apoiar mais gente, porém, é necessário aumentar o número de voluntários. E quem mora na região e deseja ajudar pode entrar em contato com o grupo por meio do Instagram

Além dessa atuação solidária, Juliana também atua em prol da causa animal. Ela faz uma feijoada vegana para arrecadar recursos para o Projeto Cão Feliz, de Marcia Campos. Mais informações sobre as ações voltadas para pets podem ser encontradas no Instagram @feijuada_veg.

"Eu venho de origem humilde, cresci na periferia. Acho que não existe falta de tempo, é questão de estabelecer prioridade. Eu acredito que as pessoas precisam parar de reclamar que estão num mundo ruim e pensar: o que estou fazendo para tornar o mundo melhor?", finaliza.

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